Amor por tabela
Da base ao título de hexa campeão cearense de basquete

Campeonato Brasileiro de Basquete 2015, Brasília.

Campeonato Brasileiro de Basquete 2015, Brasília.

Novo Basquete Ceará, 2012.

Campeonato Brasileiro de Basquete 2015, Brasília.
Letícia Almeida
Reprodução Facebook
A paixão por esportes sempre foi uma característica marcante do universitário Nícolas Braga. Na época do colégio, o garoto se destacava nas aulas de educação física, que tinha o futsal como esporte principal. Até que o professor da disciplina, Wilson, passou a trabalhar com esportes variados, entre eles o basquete.
Para Nícolas, a mudança não foi muito agradável e o esporte não chamou muito sua atenção. “Mas no decorrer da aula eu fui ficando mais à vontade com o esporte”, relembra. Foi por meio do professor Wilson que o amor pelo basquete foi surgindo: “ele era duro e brigão, mas era um bom entendedor do esporte e dono de uma vasta experiência”.
Mas logo Wilson foi embora e quem o sucedeu foi um jovem professor chamado Diego, instigado em sua juventude e responsável com seu trabalho. Foi aí que, durante as aulas, o professor Diego passou a notar em Nícolas uma diferença em relação aos outros alunos. O professor reparou de longe o talento de Nícolas e convidou-o para jogar na categoria de base do Clube NBC – Novo Basquete Ceará, que ainda estava em desenvolvimento. O garoto, que na época tinha apenas dezesseis anos, ficou entre os melhores dentro de quadra de 3 campeonatos diferentes. Somente aos dezessete passou a jogar na categoria adulta, e depois daí foi traçada uma longa trajetória de vitórias e aprendizado.
Nícolas conta que no início os pais não se importavam muito com a relação entre o filho e o basquete: “eles pensavam que ia ser como todo esporte que eu praticava, onde eu começava e depois de alguns meses parava e mudava para outro”. Só após algum tempo e vários campeonatos ganhos os pais começaram a ter interesse em ver o filho jogar. “Depois de alguns anos treinando meu pai foi assistir alguns treinos e começou a se interessar tanto que passou a assistir todos os treinos e todos os jogos que eu participava”, conta.
Obston Braga, pai de Nícolas, após assistir o primeiro treino não perdeu mais nenhum. Começou a apoiar e incentivar o filho e criou o hábito de, depois do jogo, dar dicas sobre erros que o filho cometeu dentro de quadra para que ele não os cometesse mais. Já a mãe, Cristiane, prefere assistir somente os jogos principais. “Não gosto de ver ele levando pancadas, caindo ou ficando triste com as derrotas”, confessa a mãe coruja.
Hoje, Nícolas é estudante do terceiro semestre de Fisioterapia na Universidade de Fortaleza (Unifor) e possui bolsa de estudos da instituição por conta de seu talento no esporte e por representar a universidade nos campeonatos. Em junho de 2015, o time da Unifor ganhou o título de campeão nacional na Liga do Desporto Universitário,(LDU), em Brasília, vencendo a Uninassau (PE) com o placar de 67 x 55. Além de jogar pela Unifor, o atleta também joga para o NBC/UFC, o mesmo clube que entrou aos dezesseis anos, Novo Basquete Ceará, com uma parceria com o clube da Universidade Federal do Ceará.
Jogando pelo NBC/UFC, Nícolas foi campeão cearense pela sexta vez consecutiva em 2015, estando invicto desde 2011. Em 2014, ficou em 5º lugar no campeonato nacional JUBs – Jogos Universitários Brasileiros. E em 2015 foi campeão da Liga Norte/Nordeste, que aconteceu em João Pessoa/PB. O atleta tem apenas 20 anos, mas já acumulou inúmeras vitórias e levou para casa diversas alegrias.
Quando questionado sobre a adrenalina em participar disto tudo, Nícolas responde que “a tensão que fica durante a viagem, a pressão na hora de entrar em quadra e a responsabilidade em estar representando meu estado em uma competição, tudo isso faz com que a adrenalina fique a mil. O melhor é a sensação de dever cumprido. Subir no pódio, receber a medalha e gritar ‘EU SOU CAMPEÃO!’, nada disso tem preço”.
Realizado no esporte que escolheu praticar, o jovem desde cedo procurou participar de tudo que fosse relacionado ao basquete. Com isso, o seu ciclo de amizades cresce cada vez mais e já há um amigo em vários Estados do país.
Nícolas confessa que tem o grande desejo de continuar jogando basquete “para sempre”. Sobre planos para o futuro, conta que “é muito difícil ter uma carreira no basquete no Brasil”. Ele, que pretende se formar logo e seguir sua vida profissional, planeja ainda ganhar muitos campeonatos pela universidade “até o último dia de sua graduação”.